sábado, 23 de maio de 2015

Congelar o tempo

Sabemos que o tempo passa depressa demais. E isso é ainda mais evidente quando temos filhos. Parece que ainda ontem era estudante e assim de repente já tenho 3 filhos...
Imagino-me daqui a 20 anos, com quase 60, e os meus filhos já adultos. Como estarei? Como estarão eles? Como será olhar para trás para estes momentos em que eles eram pequeninos? Qual será a recordação deles destes dias?
Gostava de poder congelar o tempo. Primeiro para não envelhecer (como deve ser difícil envelhecer), depois para os ter sempre pequenos, sob as minhas asas e do pai, e depois para poder usufruir mais e melhor de alguns momentos como os que vivi nestes dias em que o João nasceu.
A maior parte das mulheres diz que quando tem um filho quer é vir para casa depressa. Comigo isso nunca aconteceu. Sempre adorei estar nos hospitais onde os meus filhos nasceram, talvez pelas instalações, pelos recursos humanos e o apoio que dão. Sinto sempre imensa tristeza quando tenho alta. Sei que são as hormonas a falar por mim. Sei que faz parte da vida: não posso ficar eternamente na maternidade a ser paparicada, eu e o meu bebé. Mas custa. Custa muito vir embora. E a razão é porque sei que aqueles dias especiais com o meu bebé nunca mais se vão repetir na vida. Sei que nunca mais vou recuperar aqueles momentos. Vou ter muitos outros momentos bons com os meus filhos mas como o tempo não pára, será sempre diferente. Por isso tento eternizar em fotos o que vivi, na esperança de conseguir sempre voltar um pouco lá, de reviver um pouco esses dias em o meu bebé acabou de sair de dentro de mim, em que estou cheia de dores mas já cheia de saudades de o ter cá dentro. E daqueles primeiros dias no hospital, em que eu e o bebé somos alvo de atenção 24 horas por dia.
Hoje, quando saí (e estive mais uma noite que das outras vezes - um total de 4) nem me consegui despedir bem da enfermeira de serviço - e até era a de quem mais gostei - tal era o sentimento de tristeza. Para eles é só mais um dia de trabalho, mas para nós é o nascimento do nosso filho (e para muitas mulheres do único filho!).
Terça feira volto lá para tirar os pontos. Devo voltar ainda noutro dia para terminar um teste de audição ao bebé e daqui a 2 meses à consulta de acompanhamento. Sei que sempre que lá voltar ou passar de carro ao lado vou sentir uma grande nostalgia e saudade... Faz parte da vida e o tempo não pára. Mas custa vê-lo passar, vê-los crescer e nós a envelhecer. Por queria eternizar alguns momentos. Congelar o tempo.

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