segunda-feira, 2 de maio de 2016

Tenho 3 filhos. Aos 22 anos já tinha terminado o meu curso e estava a trabalhar na minha área. Dei "200%" durante vários anos, até perceber que neste país não se sobe na carreira por mérito mas sim por graxa e cunhas... Generalizo, mas é muito assim. Farta de dar o litro e não ver a retribuição correspondente (monetária e também em termos de reconhecimento - um elogio, uma palavra positiva, etc), resolvi virar-me para a família. Sempre quis 3 filhos e apesar de nem eu nem o meu marido termos salários elevados, resolvemos concretizar o nosso sonho. 
Com o primeiro filho fiquei apenas 4 meses em casa. Custou-me horrores deixar um bebé tão pequeno que ainda mamava (e ficava com a avó)... Tirava o leite no trabalho (num arquivo, no wc - uma vergonha não haver nas empresas locais onde as mães possam fazer isto.).
Ao segundo filho pesquisei em todo o lado e descobri a "licença parental alargada " (5 meses+3,estes pagos a 25%) e não tive a menor hesitação em usufruir dela (diga-se que já estava no quadro, o que ajudou, claro. Mas não devia ser assim! Eu não devia ter ficado em casa apenas 4 meses no primeiro filho por não estar no quadro e não devia ter tido a possibilidade de pedir uma licença alargada só porque já estou no quadro! Qualquer pai o deveria poder fazer!). "Apertámos o cinto" durante os últimos meses de licença, porque o dinheiro não é tudo. Foi a melhor opção que tomei! Estive com o meu filho até aos 9 meses: vi-o a começar a sentar-se, a gatinhar, etc, e quando regressei ao trabalho não me custou nadinha.
Ao terceiro filho, e prestes a regressar ao trabalho, resolvi pedir uma "licença por apoio a filho menor de 12 anos". É algo que vem no Código de Trabalho logo, aplica-se a TODOS os pais. Mas ninguém conhece este seu direito! É claro que não é remunerada. Mas, mais uma vez fizemos contas: tempo é dinheiro e tempo vale muuuito mais que qualquer dinheiro. É claro que me custa passar por uma montra e não poder comprar uma roupa como antes (mas tenho o roupeiro cheio de anos de compras). Custa-me não poder levar os meus filhos de férias ao estrangeiro, pois adoro passear e conhecer outras culturas. Mas tempo com os pais é o que eles mais precisam, principalmente quando são pequenos! Podemos não conseguir dar todos os bens materiais aos nossos filhos, mas amor, tempo, uma casa confortável, comida, roupa e estudos não lhes hão-de faltar. O resto é secundário. 
As minhas opções parentais têm-me causado vários problemas no trabalho: os colegas vêem com muito maus olhos o facto de eu colocar os filhos sempre em primeiro lugar e de exigir o usufruto de tudo o que tenho direito em termos parentais (consultas médicas, idas às escolas, licenças, etc). E os piores são as mulheres, não os homens (a inveja é uma coisa muuuito feia). Neste âmbito as mentalidades têm de mudar muito...
Pretendo voltar ao trabalho, claro, mas mesmo que nunca venha a ser uma profissional super bem sucedida na carreira,sou uma mãe super bem sucedida e isso é TUDO o que me importa! Mas é triste termos de optar e não podermos ter as 2 coisas, pelo menos neste país.

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