Não tenho irmãos e isso foi sempre motivo de grande tristeza para mim. Lembro-me de ser pequena, com cerca de 5 anos, e de o meu pai me dizer para ir pedir um irmão à minha mãe, pois também ele queria ter pelo menos mais um filho. Mas a sua resposta era invariavelmente que não conseguia, que lhe tinha custado muito o parto e que iria ficar apenas com uma filha. E assim foi.
Enquanto crescia, e já na adolescência, nunca liguei muito a bebés. Mais facilmente fazia uma festinha a um cão ou gato na rua do que a um bebé. Mas sempre imaginei a minha enquanto adulta com filhos. E sempre mais do que um. Pelo menos 2. Pensava em ter 2 e adotar um terceiro. Detestava ter uma família pequena: nos nossos Natais estavam apenas eu, os meus pais e avós. E a partir de certa altura isso é muito pouco. São as pessoas mais importantes, é certo, mas não chegava. Felizmente consegui concretizar esse sonho e dar à minha filha mais velha 2 irmãos.
Ela queria meninas, claro. Teve "azar" mas rapidamente se habituou à ideia de meninos. Dissemos-lhe que assim iria ser sempre a princesa da casa e que deste modo nenhum dos rapazes lhe iria mexer nas bonecas, pois eles preferem carros. E assim se convenceu.
Mas nunca imaginei que o seu amor pelos irmãos fosse tão grande! Quando o primeiro nasceu ela tinha 3 anos. Adorou, mas viveu as coisas de maneira diferente: ele era uma bebé a sério, igual àqueles com ela brincava. Agora, com 8 anos, a coisa é diferente. Nota-se já muito um instinto maternal, a doçura com que o trata. com que o olha, com que lhe fala. Adora os pais, claro, mas o irmão mais novo vem sempre em primeiro lugar. Beija-o intensamente. Se por acaso o magoa chora imenso (sinal de que ao fazer sofrer o irmão, ainda que sem querer, magoa-se ainda mais por dentro). É a loucura! Não o larga, não se farta de estar com ele. Beija-lhe a cara, as mãos, os dedos todos, os pés, a barriga....
Espero que este amor, esta dedicação e carinho não se desvaneçam no tempo. Tento sempre transmitir-lhe a ideia de que os irmãos são as pessoas mais importantes do mundo, que as brigas que vão tendo são normais e passam mas que apesar disso ela deve ama-los sempre e fazer tudo para que sejam sempre os melhores amigos. Os amigos vão e vêm. Os pais hão-de partir mais cedo, se tudo correr bem, e os irmãos estarão sempre com ela!

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