No sábado passado estava eu na bebeteca com a minha menina, a passar uma manhã diferente, quando me liga a minha mãe com a notícia de que uma pessoa que eu adoro faleceu. Já era idosa, mas tinha uma força de viver que eu nunca vi em ninguém. Nunca teve filhos, perdeu o marido há cerca de 15 anos a um cancro, cuidou de uma irmã doente toda a vida. Viveu sempre para os outros. Tinha o coração do tamanho do mundo. Se existe céu, é lá que ela está.
Não era da minha família, mas para mim sempre foi mais que muita família. Sinto por ela o mesmo que por uma avó. Igualzinho.
O choque foi muito grande. Passei o fim de semana a chorar. Nem queria acreditar! Como era possível? O coração prega partidas... E agora o que vai ser da sua irmã? O que vai ser da casa mais florida daquela freguesia? A casa onde os turistas de mochila às costas paravam para tirar fotografias às flores e às palmeiras? O que vai ser da Vivenda das Palmeiras, dos animais, das recordações em forma de fotografias espalhadas pela casa?
Com esta morte inesperada fechou-se um ciclo na minha vida.
Há 2 anos, com a morte do meu avô a coisa adivinhava-se. Nada voltaria a ser como antes. O passado não se repete. Ficam apenas as recordações.
Quando voltar à "minha terra" tenho uma casa fechada e cheia de pó à minha espera. Tenho um jardim cheio de silvas. A horta entregue ao abandono. Já não os tenho à minha espera no aeroporto, com sorrisos de orelha a orelha... Ela já não vai um ter queijo para eu trazer no meu regresso. Já não vou poder ir ter com ela contar-lhe as minhas novidades, ou reclamar da minha avó que sempre me quis limitar a liberdade... Era a minha confidente que, apesar de ter quase a idade da minha avó, me compreendia como ninguém e actuava em meu favor junto dela. Muitas saudades...
Quando lá voltar vou ter os olhos cheios de lágrimas. Mas também não me vou esforçar por contê-las. Tenho de as libertar para poder seguir em frente.
Vou querer arranjar a casa, o jardim, as coisas. Nada volta a ser como dantes, eu sei. Mas a minha terra será sempre aquela e não vou deixar que as memórias se percam.
Ainda vou voltar a passar lá muitos Verões!
O meu avô e esta "avó" olharão por mim.
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