sexta-feira, 11 de julho de 2008

Nem de propósito

Estava a ler um blog e encontrei este texto que acho que representa muito bem aquilo que somos (pelo menos na minha perspectiva), mas não aquilo que gostava que fôssemos…

Um homem e uma mulher estão casados há meia dúzia de anos. Têm uma filha. A distância entre os dois é visível, a olho nu, por todos os que tenham olhos de ver. A ausência de contacto físico, a inexistência de olhares, de cumplicidade, de piadas que só os dois entendem. Ela queixa-se. Sente o fosso crescer. Ele vive outra vida, desconhecida, indecifrável. Juntos, não são um casal. São duas pessoas a tomar conta de uma criança. Nada mais”. Daqui para a frente só falta a parte em que ele lhe conta que tem um caso com outra. Acho que aí ainda não chegámos…

Também já sei que o teu comentário vai ser: “Grande trabalho, que até tens tempo para ler blogs de manhã…”

Isto é exactamente aquilo que sinto que somos mas que gostaria de nunca ter sido. Não foi para isto que fiquei contigo, que te escolhi e que decidi ter uma vida contigo. Mas é isto que somos. E daqui para a frente a coisa só pode piorar, se nada for feito. E será que ainda há algo a fazer? Será que ainda queres fazer algo? Será?

Não sei o que pensas… A responsabilidade é dos dois, claro. Ambos sabemos isso. Mas também sabemos ambos que temos sempre as mesmas atitudes e reagimos sempre da mesma maneira… Já há muitas “feridas abertas” que são chamadas às conversas sempre que nos desentendemos, muita coisa a acusar o outro… Não sei qual a solução, nem se existe. Acho que é por este tipo de situações que se prolongam no tempo que as pessoas acabam por se separar. Deixa de haver qualquer intimidade, cumplicidade. São 2 pessoas que criam um filho, só. É o que somos hoje, em que já nem sequer dormimos juntos, não conversamos, só discutimos, não temos momentos para nós, não há um sorriso, um carinho, um beijo, um gesto afectuoso… Sei que gostas de dormir com ela, a tua menina. Eu também devia ser a tua menina, mas sei que já não sou.

Não sei como chegámos a este ponto, mas não é esta a vida que quero para mim e para a minha filha e acho que também não é a vida que queres para ti. Acho que os 3 merecemos melhor que isto. Temos tudo para dar certo: empregos mal pagos mas estáveis, uma filha linda e saudável, apoio dos pais que ainda têm saúde, a casa com que sempre sonhámos… Mas parece-me que é como acontece com os ricos: o dinheiro não traz felicidade. No nosso caso a casa não nos trouxe felicidade. Nada mudou, como eu já sabia, nem com a casa nem com a paternidade. Gostava muito de ter outro filho, mas cada vez mais acho que isso não vai acontecer… No outro dia disse-te isso, mas tu não ligaste. Como nunca ligas a nada do que te digo. Será que pelo menos vais ligar ao que escrevo?

Não te quero incomodar mais nem perturbar o teu trabalho. Nem sequer sei se vais ler isto hoje ou num outro dia qualquer em que tenhas tempo. Não sei se me vais dar algum feedback desta mensagem. A esperança que tenho numa reacção tua é pouca, para não dizer nula. A ver vamos.

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