terça-feira, 8 de abril de 2008

Estereótipos

Sou leitora assídua do Diário de Notícias através da internet. Faz parte dos meus hábitos matinais e devo dizer que, na minha opinião, o jornal melhorou muito nos últimos anos.
Escrevo hoje com uma questão relativa aos estereótipos que continuam no nosso jornalismo e sobre os quais me pergunto: "porquê?".
Há dias atrás li no DN uma notícia em que se identifica o autor de um delito como sendo cigano. Na altura não fixei a notícia e passei à frente. Hoje deparo-me novamente com o "cigano" (Sociedade, "Professora agredida por um pai em frente aos alunos").
Este assunto é já muito batido. Mas sinceramente não vejo razão para se dizer que o pai do aluno é cigano quando noutras situações não se diz que fulano ou "cicrano" é branco, amarelo,... Porquê? Não vejo a pertinência de se referir que o senhor é cigano. Não acrescenta nada à notícia. Não é pelo facto de ele ser cigano que tem mais tendência para ser violento. Que eu saiba os genes de ciganos não são diferentes dos genes dos "outros" e não existe "neles" uma maior tendência para a violência...
Penso que com este tipo de escrita as pessoas de outras etnias, raças e origens vão continuar a ser estigmatizadas e diferenciadas na nossa sociedade, uma sociedade que deveria ser inclusiva. E isso começa nas páginas dos jornais, que são lidos por milhares de pessoas e, nesse sentido, têm uma grande responsabilidade social.
Também eu estudei jornalismo com mestres que trabalham ou trabalharam no DN, como António José Teixeira. E uma das coisas que aprendi nos meus tempos de faculdade é que um jornalista não deve ajudar a perpetuar estereótipos.
Fica a minha indignação.

1 comentário:

  1. Tem toda a razão.Felizmente exmlos como o que dá vão-se tornando menos frequentes, ma a verdade é que o DN dá muitas "calinadas" dessas. Salvo erro o Provedor ( mario Bettencourt Resendes) referiu-se ao assunto numa das suas crónicas dominicais. Com o tempo, espero que aprendam

    ResponderEliminar